Dark fantasy DE VERDADE
Eu gosto muito de fantasia em geral, e dark fantasy (ou "fantasia sombria") em especial; no entanto, tenho a impressão que muitas vezes autores e leitores confundem dark fantasy com violência, gore, niilismo ou sexualidade.
A definição de dark fantasy mereceria um post específico (ou até ensaios e livros inteiros - aqui está um esboço em inglês), mas por ora basta lembrar que a fantasia sombria é uma intersecção da fantasia com o horror — capaz de evocar tensão e medo — e a tragédia, que por sua vez frequentemente retrata a queda (moral, física, social, etc.) ou sofrimento dos seus protagonistas e coadjuvantes. O niilismo e a ambiguidade moral aparecem com frequência mas não são por si só definidores do gênero.
Os livros abaixo são alguns dos meus favoritos de dark fantasy, que considero não apenas muito bem escritos, como também exemplos de uma compreensão mais aprofundada do gênero.
Infelizmente, nem todos tem uma tradução em português facilmente disponível, mas essa situação tem melhorado bastante ultimamente. E, com ferramentas de tradução automática por IA e algumas buscas no Google, você provavelmente consegue acesso a qualquer história que queira.
Enfim, aqui vão alguns dos meu livros favoritos do gênero.
1. Stormbringer, de Michael Moorcock. Esse é o meu livro favorito da saga do príncipe albino Elric, que por sua vez é uma das obras mais importantes da dark fantasy, influenciando inúmeras obras posteriores, como The Witcher, A Saga do Gelo e Fogo, As Crônicas de Âmbar e assim por diante.
No entanto, esse livro é (de certa forma) a conclusão da saga. Então, minha recomendação seria começar pelo primeiro livro (Elric de Melniboné) e, caso goste, continuar lendo a saga inteira. Caso não goste, pule para esse ciclo final, que é imperdível.
A boa notícia é que há uma tradução recente do selo Pipoca & Nanquim com toda a saga em português. Stormbringer está no volume dois; aparentemente, o volume três vai trazer outras histórias soltas no mesmo universo.
2. Vermes da Terra. Robert E Howard, autor de Conan, tem uma pegada mais sombria em várias histórias, embora o próprio Conan seja um personagem heroico. Esse conto, um dos mais "dark" de Howard, narra a história do herói trágico Bran Mak Morn, o último rei dos pictos, numa luta desesperada para salvar seu povo das hostes romanas ou ao menos garantir sua vingança.
É uma escolha perfeita se você quer começar por uma história mais curta.
3. O beijo do Deus sombrio, de C.L. Moore, é um conto sobre Jirel de Joiry, uma guerreira francesa (aparentemente), que se vê derrotada em seu próprio reino e aprisionada por um inimigo maligno ansioso por humilhá-la. Tomada de ódio, ela decide descer ao Abismo infernal sob o castelo para encontrar uma arma útil contra seu rival...
A trama lembra Vermes da Terra, e a escrita também é semelhante à de Howard em tom, misturando ação com fantasia e horror cósmico.
Jirel não é exatamente uma “Conan feminina” (nem a princesa estereotipada, donzela ou amazona); ela é forte e feroz, mas possui características distintas o suficiente para ser interessante. Por exemplo, ela é cristã e sabe plenamente que não está arriscando apenas a vida, mas também a alma — mesmo que tenha sucesso em sua missão. Além disso, é aparentemente a primeira protagonista feminina notável do gênero sword & sorcery.
Outra excelente historia curta.
4. A sombra do torturador, de Gene Wolfe, é um dos melhores livros de dark fantasy (e fantasia em geral) que já li. A leitura é um pouco difícil por causa do vocabulário rebuscado, mas é incrivelmente recompensadora.
5. Livros em inglês. Se você tem um domínio legal do inglês, recomendo fortemente a leitura de The Broken Sword, de Poul Anderson (procure a versão original) e Darkness Weaves de Karl Edward Wagner - os links são para minhas resenhas em inglês. Eu também gostei bastante de Lost Gods do artista Brom e Between Two Fires de Christopher Buehlman, mas não cheguei a resenhá-los.
Eu gosto bastante de fantasia sombria, então você provavelmente verá outras resenhas aqui no futuro (e alguns que já resenhei no passado e não mencionei aqui). Aceito sugestões!


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